terça-feira, 12 de outubro de 2010

O arranjo Beneditino

Por Samuel Érico






O arranjo Beneditino recebe esse nome por causa de Sua Santidade o Papa Bento XVI, já que o mesmo tem Celebrado o Santo Sacrifício da Missa com os castiçais e um crucifixo, que fica de frente Para o Sacerdote, sobre o altar (ver foto). O Sucessor de Pedro quando ainda Cardeal em seu livro o Introdução ao Espirito da Liturgia, falava sobre a importância da Celebração, mesmo no Rito de Paulo VI, ser de frente para o Cristo (Versus Deum). Uma Liturgia que se volta somente para o povo fica fechada nela mesma e se torna um circulo fechado, sem horizontes, sem uma meta, que deve ser o Céu. Então com o ornamento como o do Vigário de Cristo, mesmo que o Mistério seja Celebrado Versus Populum (de frente para o povo) também será celebrado Versus Deum, uma vez que o Sacerdote tem de frente pra ele o Crucificado. Na Diocese de Mossoró enquanto eu preparava o altar para o Santo Sacrifício da Missa com o arranjo como o do Santo Padre, o Sacerdote que celebraria aquela Missa questionou se a cruz e as velas a frente não tirariam a visão do povo para a Eucaristia, hoje esse questionamento me faz lembrar Ratzinger que falando sobre o Assunto disse que a Eucaristia não se sente incomodada com a Cruz de Cristo Senhor Nosso, umas vez que a Eucaristia é o Próprio Senhor. E aqui no Per Ecclesiae Unitate incentivamos o uso do arranjo, afim de que o Rito de Paulo VI seja Celebrado com dignidade, em união ao Santo Padre, que os Sacerdotes vivam o Mistério com toda intensidade de suas almas, deixando de ter o povo como centro e passando a colocar o Senhor no Centro como Primogênito entre todas as coisas (Col 1, 15), e que os fiéis adorem a Real Presença do Senhor Nesse Tão Sublime Sacramento do Amor.



Essa forma com a qual Dom Guido Marine, Cerimoniário do Papa, tem ornado o Altar, vem atraindo muitos seguidores em diversas partes do mundo, leigos, Padres e Bispos espalhados em todos os cantos da Terra. Na cidade de Mossoró há cerca de dois anos na capela do Espírito Santo vem sendo usado o arranjo. E no ultimo dia 16 de julho, Festa da Aparição de Nossa Senhora do Carmo, após um dia inteiro de apostolado sobre a Santa Escravidão de Amor a Jesus Senhor através da Sua Mãe Maria Santíssima, houve a Santa Missa de consagração daqueles que vinham se preparando, com arrumação do Altar conforme a do Vigário de Cristo. As formações foram dadas pela Comunidade Mariana Totus Tuus, que também preparou a Celebração Eucarística. O Sacerdote Celebrante foi o Escravo da Jesus em Maria, Padre João Batista, pároco da Paroquia de São Paulo Apóstolo em Mossoró. Normalmente não é essa a arrumação do Altar na Igreja, Dedicada a Nossa Senhora da Conceição, no cotidiano usam-se dois castiçais modesto com detalhes em madeira, mas na mesma havia castiçais de metal na cor dourada e um crucifixo com o mesmo material.


Então foi com esses que estavam guardados e que há tempos não eram utilizados, que se ornou o Altar para aquela Celebração. Como pode-se ver na fotos abaixo foram quatro castiçais e um Crucifixo ao meio, virado para o celebrante. A saber, usa-se dois castiçais em dias normais, quatro em festas e memórias, seis em solenidades, setes quando o Bispo Ordinário Celebra ou se trata de grandes Solenidades como Páscoa, mas nunca uma única vela ou até mesmo o Círio substituindo-a.
O altar deve ser coberto pelo menos com uma toalha de cor branca. Sobre o altar ou perto dele, dispõem-se, em qualquer celebração, pelo menos dois castiçais com velas acesas, ou quatro ou seis, sobretudo no caso da Missa dominical ou festiva de preceito, e até sete, se for o Bispo diocesano a celebrar. Igualmente, sobre o altar ou perto dele, haja uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado. Os castiçais e a cruz ornada com a imagem de Cristo crucificado podem ser levados na procissão de entrada. (Parágrafo 117 da Instrução Geral do Missal Romano)


Nós do Per Ecclesiae Unitate reforçamos o apoio a Sua Santidade o Papa Bento XVI, Que mesmo cansado e atacado por todos os lados inclusive de dentro da Igreja, consiga mostrar o que é melhor para a sua Igreja. Alguns “liturgistas” zombam do seu Pastor, dizem nem se vê mais o Papa nas Missas por ter tantas velas na frente, não entendem que ao contrario dos “Fábios de Melo” o Sucessor de Pedro sabe que o centro do Sacerdócio é Cristo e deve ser ele o Centro da Missão, sobretudo Litúrgica. Esse arranjo não quer trazer uma nostalgia e uma memória do passado, mas ao certo o que se encontra no desejo do Santo Padre em tomar decisões como essa e como a de dar a Comunhão na Língua, é de que se deixem de lado os abuso contra a Eucaristia, que se lembre que onde vemos e sentimos gosto de pão e vinho aí está Cristo Humilde em Seu Corpo e Sangue para remir Nossos pecados, nossa culpa que nos trouxe tão grande Salvador. Adoremos a Cristo mais e mais no Santíssimo Sacramento do Altar, e peçamos por vocações Sacerdotais Santas, que queiram diminuir para que Cristo apareça, e que Façam sem hesitar a Vontade do Santo Padre, que é a mesma de Cristo.

San Pio X, Ora por Nobis.
San Padre Pio, Ora por Nobis.
Mater Santissimum Sacramentum, Ora por nobis.


SOUSA, Antônio Samuel Érico de. O Arranjo Beneditino. In: <http://perecclesiaeunitate.blogspot.com/>12.10.2010

Samuel Érico tem 20 anos, é noivo, acadêmico do Curso de Graduação em Administração pela Universidade Potiguar, a 6 anos teve uma experiência com Deus através da Renovação Carismática Católica, atualmente é membro da Comunidade Mariana Totus Tuus que tem como missão propagar no mundo verdadeira devoção a Santíssima Virgem, exerce seu apostolado Católico dando formações sobre temas diversos da Santa Igreja, junto com alguns amigos se dedica ao estudo informal da Doutrina da Igreja, em especial no que diz respeito a Sagrada Liturgia e é co-editor deste blog.

3 comentários:

  1. Pe. Augusto Lívio21 de outubro de 2010 09:38

    COMO “ARRUMAR” O ALTAR???

    Alguém, citando o papa Bento XVI quando ainda era cardeal, apresentou o argumento de que o altar deveria ser ornado com castiçais e cruz (arranjo beneditino), porque assim pensava e celebrava o Santo Padre. Entretanto, é preciso lembrar que a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II deseja que a celebração, o ambiente e a ornamentação (incuindo o altar) possam expressar de modo o mais claro possível o mistério pascal de Cristo.
    É claro que para atingir este desejo as interpretações variam bastante, e o então cardeal Ratzinger tinha sua visão teológica litúrgica, que não é a única e, por isso, não é necessariamente absoluta (mesmo depois de sua eleição para o ministério petrino).
    Se olharmos o que a IGMR (Instrução Geral do Missal Romano) orienta, ela abre várias possibilidades, mas dentro de certos parâmetros.

    Primeiro, o altar é o centro do espaço litúrgico, porque sobre ele se realiza a celebração do mistério eucarístico. “O altar, onde se torna presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais, é também a mesa do Senhor na qual o povo de Deus é convidado a participar por meio da Missa; é ainda o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia” (IGMR, 296). Por isso, o presidente da celebração não está simplesmente voltado para o povo, como se o povo fosse o centro, mas está voltado para o altar, ao redor do altar juntamente com o povo, onde Cristo se manifesta, pois é em nome dele que nos reunimos, ao redor dele a Igreja acontece.
    “O altar seja construído afastado da parede, a fim de ser facilmente circundado e nele se possa celebrar de frente para o povo, o que convém fazer em toda parte onde for possível. O altar ocupe um lugar que seja de fato o centro para onde espontaneamente se volte a atenção de toda a assembléia dos fiéis” (IGMR, 299)

    È claro que é possível colocar os castiçais e a cruz sobre o altar, como se defende na visão de alguns liturgistas, o próprio missal prevê isto, mas coloca uma ressalva:”Os castiçais requeridos pelas ações litúrgicas para manifestarem a reverência e o caráter festivo da celebração (cf. n. 117), sejam colocados, como parecer melhor, sobre o altar ou junto dele, levando em conta as proporções do altar e do presbitério, de modo a formarem um conjunto harmonioso e que não impeça os fiéis de verem aquilo que se realiza ou se coloca sobre o altar” (IGMR, 307)

    E o mesmo que diz dos castiçais se aplica a cruz, sem tirar sua importância e significado: “Haja também sobre o altar ou perto dele uma cruz com a imagem do Cristo crucificado que seja bem visível para o povo reunido. Convém que tal cruz que serve para recordar aos fiéis a paixão salutar do Senhor, permaneça junto ao altar também fora das celebrações litúrgicas” (IGMR, 308).

    Colocar ou não velas, cruz, castiçais sobre o altar depende da situação e de como vai favorecer ou não a expressão do mistério celebrado. Não está determinado que “sim” nem que “não”. Contudo, em outro lugar no próprio missal é apresentado o que pode estar sobre o altar: “Sobre a mesa do altar podem ser colocadas somente aquelas coisas que se requerem para a celebração da Missa, ou seja: o Evangeliário, do início da celebração até a proclamação do Evangelho; desde a apresentação das oferendas até a purificação dos vasos sagrados, o cálice com a patena, o cibório, se necessário, e, finalmente, o corporal, o purificatório, a pala e o missal” (IGMR, 306).
    Não quero polemizar com uma questão tão simples como esta, mas quero manifestar o meu desejo de que se conheça melhor o que a Igreja diz e realmente quer para não perdermos tempo preocupando-nos com temas que, na verdade, dependem da compreensão teológica e da perspectiva pastoral dentro da celebração.
    O importante é que as pessoas possam vivenciar o mistério de Cristo morto e ressuscitado que se manifesta a nós através dos sacramentos, por isso, a teologia litúrgica continuará a avançar procurando aprofundar e descobrir os sinais e a linguagem que melhor expressem as verdades fundamentais da nossa fé.

    Pe. Augusto Lívio

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  2. Padre Augusto, é de enorme alegria saber que o senhor visita nosso Blog.

    A unica coisa falada em relação a obrigatoriedade foi do numero de velas como na citação da IGMR, nessa mesma citação diz que o castiçal e as velas podem ser perto do altar. dizer o contrario seria absurdo, nosso intuito não é tornar a "arrumação" do altar exclusivamente com o arranjo Beneditino, mas divulgar o mesmo, e torna-lo possivel.

    cometi o erro de fazer a citação indireta do Cardeal, vou ajustar o mais rapido possivel e torna-la direta, com as palavras dele.

    Aberto e com adesão, por ser católico, ao Vaticano II não somente aceito os arranjo com velas proximas, como na comunidade que participo normalmente se faz assim. Agora, é necessario que tenha vela, sobre ou proximo, como diz o Missal. Ja vi Missas onde só havia um círio substituindo-as, ou até memo somente uma vela. Se o senhor, que conhece como deve ser feito puder colaborar com aqueles que arrumam erroneamente orientando-os, será mais fácil a aceitação se a orientação vier por exemplo do senhor do que se partir de mim que sou leigo.
    "O importante é que as pessoas possam vivenciar o mistério de Cristo morto e ressuscitado que se manifesta a nós através dos sacramentos, por isso, a teologia litúrgica continuará a avançar procurando aprofundar e descobrir os sinais e a linguagem que melhor expressem as verdades fundamentais da nossa fé." palavras suas que eu assino embaixo. Não queremos polemizar mas mostrar as varias possibilidades de ornar nossas Igrejas. Obrigado Padre.

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  3. Reverendíssimo Pe. Augusto Lívio
    Eu também, em nome do blog, agradeço as suas colocações oportunas e pertinentes, deixando claro que tanto o espaço dos comentários como o próprio editor de postagens deste blog está aberto para essas colocações que só enriquecessem o nosso de diálogo passivo sobre a forma de celebrar a Sagrada Liturgia nos tempos hodiernos.

    Não há como negar a tamanho da riqueza e da importância da tradição do "Arranjo Benedito", do mesmo modo, não há como negar que foram enormes os avanços do Concílio Vaticano II que definiu outras formas não menos lícitas de se celebrar o Mistério Pascal.

    Obrigado Samuel por ser meu parceiro blogosfera estar sempre contribuindo e levantando temas importante nesse blog.
    Obrigado Pe. Augusto pelas exortações e correções que são necessárias, haja vista que eu e Samuel somos dois jovens que amamos a Igreja e gostamos muito de Liturgia e que queremos nos dispor a ser discípulos e aprender sempre mais com que tem mais experiência que nós.

    Em Cristo, suplico sua benção Sacerdotal.

    Igor Ramon.

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