sábado, 27 de março de 2010

E se a Campanha da Fraternidade se chamasse Campanha da Conversão?


            Essa não é primeira vez que abordo esse tema nas minhas postagens, não me cansarei de falar, uma vez que todo ano a mesma realidade se repete, o sentido verdadeiro da Quaresma é deturpado e desvirtuado por uma campanha que pode até fazer um certo bem para a sociedade, mas que pouco tem feito nas almas dos fiéis que precisam encontrar na Quaresma um tempo favorável de conversão, oração, jejum e penitência. Este tem é acima de tudo um tempo para se falar e pensar em realidades do Céu e não em temas secularizados e que, em muitos casos, camuflam certas intenções comunistas.


            Aqui na blogsfera, eu não sou o primeiro nem serei o último a me manifestar a respeito da CF, já li bons artigos e vi bons vídeos que fazem uma leitura crítica que eu chegam a conclusões terríveis a respeito de tal campanha. Destaco os seguintes:
·         Campanha da Fraternidade converte?
·         O Materialismo da Campanha da Fraternidade.
·         Artigo do Puggina: Erros da Campanha da Fraternidade.
            Os apelos e exortações quaresmais já começam na Quarta-Feira de Cinzas, onde somos convidados a rasgar nossos corações e não nos vestes, a nos converter, a crermos no Evangelho, a lembrarmos de que somos pó e para pó nós voltaremos. Esses apelos são, em muitos casos, deixados em segundo plano, uma vez que o tema subjetivo, fraco e nada espiritual da CF passa a ocupar um lugar de destaque na celebração, isso repete em todas as outras celebrações dominicais até a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, onde sempre tem alguém para te lembrar: “Hoje é o dia da Coleta Nacional. Trouxe o dinheiro?” Que tristeza ver o dinheiro ocupando um lugar tão importante na cabeça das pessoas no dia que somos convidados a celebrar a entrada triunfal de Nosso Senhor em Jerusalém e sua Paixão e Morte de Cruz. Também não são rara as vezes que ouvimos o Hino da CF ser executado em pleno o Tríduo Pascal, mesmo depois de encerrada a campanha continua fazendo um efeito negativo na Igreja.


            Diretório da Liturgia de 2007, na página 63 diz: “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove, todos os anos, durante a Quaresma e Semana Santa, a Campanha da Fraternidade, cuja finalidade principal é promover a evangelização entre os fiéis” e o Senhor nos diz em Mt 7,17.20: “Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Pelos seus frutos os conhecereis.” A partir disso nos vem à pergunta: Que frutos essa campanha tem dado para evangelização dos fiéis?


            Sonho com o dia em que os padres vão obedecer ao Papa e respeitar a Liturgia, os bispos vão cumprir de fato com sua missão profética, que os leigos vão tomar consciência de sua missão e cooperar com os pastores, o dia em que utopia comunista - repudio a ideia de chamar isso de teologia - vai perder força dentro da e Igreja e que “Campanha da Fraternidade” vai se chamar Campanha da Conversão.


Para citar este artigo:


SILVA, Igor Ramon. E se a Campanha da Fraternidade se chamasse Campanha da Conversão? In: <http://perecclesiaeunitate.blogspot.com/> 27.03.2010


Igor Ramon tem 19 anos, é acadêmico do Curso de Graduação em Administração pela Faculdade Mater Christi,  faz parte Renovação Carismática Católica da Diocese de Mossoró a 4 anos, onde exerce Ministério de Pregação e Formação, é coordenador diocesano do Ministério de Liturgia desse movimento, junto com alguns amigos se dedica ao estudo, ainda que informal, da Doutrina da Igreja, em especial no que diz respeito a Sagrada Liturgia, também se dedica a edição e publicação de artigos em blogs.

sábado, 6 de março de 2010

Uma análise da CFE 2010

Por Jorge Ferraz

Ano passado, eu escrevi um post onde eram apresentadas algumas estatísticas sobre o texto-base da Campanha da Fraternidade de então. Este ano, agora que a CNBB disponibilizou a versão eletrônica do texto da CF/2010, eu posso fazer a mesma coisa.
As oitenta páginas do referido documento podem ser baixadas aqui, no site da CNBB. Ao contrário de certas análises de conjunturas que andam circulando internet afora, até onde me conste este é um documento oficial da Conferência, sim.
Eis aqui as estatísticas. A metodologia utilizada é trivial: a caixa de pesquisa do Acrobat Reader. Quando as expressões aparecem “puras”, é porque a busca foi feita por elas ipsis litteris; quando aparece “e derivados”, é porque consultei pelo radical (p. ex., ‘arrepend’, o que engloba tanto ‘arrependimento’ quanto as formas verbais ‘arrependei-vos’, ‘arrependi-me’, ‘arrepender’, etc.).
Os resultados são os seguintes:
  • “Jesus”: 37 ocorrências (“Nosso Senhor”, uma única ocorrência, na oração da CFE).
  • “Católica” e “católicos”: 8 ocorrências.
  • “Conversão” (e derivados): 7 ocorrências.
  • “Oração”: 5 ocorrências (sendo duas vezes no título “oração da CFE 2010″, a do índice e a da página correspondente).
  • “Caridade”: 4 ocorrências.
  • “Esmola”: 3 ocorrências.
  • “Pecado” (e derivados): 2 ocorrências.
  • “Jejum”: 2 ocorrências (e recomendo que vejam quais são!!).
  • “Virgem Maria” (a pesquisa foi feita por “Maria”): 2 ocorrências (“Nossa Senhora”, nenhuma).
  • “Arrependimento” (e derivados): 2 ocorrências.
  • “Sacramento”: 2 ocorrências.
  • “Papa”: 2 ocorrências.
  • “Magistério”: 1 ocorrência.
  • “Penitência”: nenhuma ocorrência.
  • “Eucaristia”: nenhuma ocorrência.
  • “Missa”: nenhuma ocorrência.
  • “Sacerdote”: nenhuma ocorrência.
  • “Calvário”: nenhuma ocorrência.
  • “Cruz”: nenhuma ocorrência.
  • “Trindade”: nenhuma ocorrência.
  • “Santificação”: nenhuma ocorrência (“santificar” tem duas, no comentário sobre o Pai Nosso).
  • “Redenção” (e derivados): nenhuma ocorrência (“Redentor” aparece uma única vez, numa nota de rodapé, em referência – pasmem! – a um livro sobre Martin Luther King, chamado “O Redentor Negro”! Está à página 55).
  • “Confissão” (sacramento): nenhuma ocorrência (há duas referências a “confissão”, na expressão “Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil”, com as maiúsculas por conta da CNBB).
Em contrapartida:
  • “Economia (e derivados): 142 ocorrências.
  • “Solidariedade” (e derivados): 81 ocorrências.
  • “Pobre” (e derivados): 75 ocorrências.
  • “Direito(s)”: 74 ocorrências.
  • “Terra”: 64 ocorrências.
  • “Trabalho”: 56 ocorrências.
  • “Social” (e derivados): 54 ocorrências.
  • “Política” (e derivados): 39 ocorrências.
  • “Mercado” e “Mercadoria”: 30 ocorrências.
  • “Desenvolvimento”: 29 ocorrências.
  • “Povo”: 27 ocorrências.
  • “Miséria”: 12 ocorrências.
  • “Exploração” (e derivados): 11 ocorrências.
Isto é sintomático. No segundo grupo, a palavra que menos aparece é “exploração”; mesmo assim, ela aparece mais do que todas as palavras do primeiro grupo, à exceção de “Jesus”. E até mesmo “política” aparece mais do que “Jesus” neste documento!
Coisas absolutamente fundamentais para qualquer texto que se pretenda servir para o tempo quaresmal, é inexplicável a total ausência de palavras como “Missa”, “Eucaristia” e “Confissão”. Que espécie de preparação para a Páscoa pode ser feita sem que se fale na Santa Missa? Sem que se fale em comunhão eucarística, em confissão dos pecados, em arrependimento? Sem que se fale na Virgem Santíssima? A conclusão é inevitável: este texto não serve para a Quaresma. Não pode servir, porque não trata de temas espirituais. Fica perdido no naturalismo, na horizontalidade, na materialidade estéril – e passa longe das necessidades espirituais dos fiéis católicos.
A julgar por este texto-base, parece ser opinião da CNBB que a Igreja deve, durante a Quaresma, falar mais em exploração do que em oração. Deve falar mais em miséria do que em pecado. Mais em trabalho que em conversão. Mais em política do que em Nosso Senhor.
E isto é muito triste. Se o sal perde o sabor, para quê ele servirá? Até quando suportaremos esta campanha da materialidade, que nega toda a riqueza espiritual do tempo da quaresma, soterrando a piedade católica sob uma profusão de temas naturalistas estéreis? Usquequo, Domine…?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Homilia de Pe. Paulo Ricardo sobre o PNDH-3 de Lula.

Vejam como o Pe. Paulo usa de maneira brilhante uma faculdade do Missal Romano acerca da homilia:

"A homilia é parte da liturgia e muito recomendada: é um elemento necessário para alimentar a vida cristã. Deve ser a explanação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de algum texto do Ordinário ou do Próprio da Missa do dia, tendo sempre em conta o mistério que se celebra, bem como as necessidades peculiares dos ouvintes."

O padre, imbuído do profetismo e da autoridade sacerdotal, adverte os fiéis acerca das intenções do Governo com esse atual Programa Nacional de Direitos 'Humanos'; fala da consequência prática desse decreto do Presidente: a criação de duas categorias de cidadãos; sobre os sinais da instalação de uma futura ditadura entre outras coisas.

Download aqui:
http://www.4shared.com/file/228825571/14198409/Pe_PauloRicardo_-_Homilia_sobr.html

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior pertence ao clero da Arquidiocese de Cuiabá, é reitor do Seminário Cristo Rei, de Cuiabá e assistente eclesiástico da Comunidade Família de Nazaré. Recebeu Ordenação Sacerdotal em Roma, pela imposição das mãos do Santo Padre o papa João Paulo II.
Leciona nos cursos deFilosofia e Teologia, além de servir à Câmara Eclesiástica de Cuiabá e ao Sínodo Arquidiocesano de Cuiabá. Em 2002, a Santa Sé o nomeou consultor da Congregação do Clero, em assuntos de catequese.

Leia também: .
PT e Cristianismo: Casamento Impossível.
http://perecclesiaeunitate.blogspot.com/2009/10/pt-e-cristianismo-casamento-impossivel.html 

67 bispos brasileiros repudiam o PNDH-3 de Lula.
http://perecclesiaeunitate.blogspot.com/2010/02/67-bispos-brasileiros-repudiam-o-pndh-3.html

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Figuras do Antigo Testamento: Raabe, o cordeiro pascal [A Unidade da Igreja - VIII]

8 - Figuras do Antigo Testamento: Raabe, o cordeiro pascal

(1) Portanto quem será tão celerado e pérfido, tão louco pelo furor da discórdia, para pensar como possível ou até para ousar romper a unidade de Deus, a veste do Senhor, a Igreja de Cristo?

(2) Ainda uma vez nos avisa ele no Evangelho dizendo: "E haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10,16). E como se pode pensar que, num mesmo lugar, existam muitos pastores e muitos rebanhos?

(3) O apóstolo Paulo, por sua vez, inculcando esta mesma unidade, suplica e exorta: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos digais as mesmas coisas e não se dêem cismas entre vós. Sede unidos no mesmo sentimento e no mesmo pensamento" (1Cor 1,10) E de novo: "Sustentando-vos mutuamente no amor, esforçando-vos por conservar a unidade do Espírito na união da paz" (Ef 4,2-3).

(4) Achas tu que alguém pode afastar-se da Igreja, fundar, a seu arbítrio, outras sedes e moradias diversas e ainda perseverar na vida? Ouve o que foi dito a Raabe, na qual era prefigurada a Igreja: "Recolhe teu pai, tua mãe, teus irmãos e toda a tua família junto de ti, na tua casa, e qualquer um que ouse sair fora da porta da tua casa, será ele próprio culpado da sua perda" (Jos 2,18-19).
 
(5) Igualmente o sacramento da Páscoa [antiga], como lemos no Êxodo, exigia que o cordeiro, morto como figura de Cristo, fosse comido numa só casa. Eis as palavras de Deus: "Seja comido numa só casa, não jogueis fora da casa carne alguma dele" (Ex 12,46). A carne de Cristo, o Santo do Senhor [Nota: "Sanctum Domini" O Santo do Senhor - era como os primeiros cristãos chamavam a Eucaristia - O Corpo e Sangue de Cristo Jesus], não pode ser jogado fora. Para os que nEle crêem, não há outra casa a não ser a única Igreja.

(6) O Espírito Santo anuncia e significa esta casa, esta morada da união dos corações, dizendo nos salmos: "Deus faz habitar na casa aqueles que são unânimes" (Sl 67,7). Na casa de Deus, na Igreja de Cristo, os moradores são unidos e perseveram na concórdia e na simplicidade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

67 bispos brasileiros repudiam o PNDH-3 de Lula

Abaixo-assinado dos bispos contra o PNDH-3

Pronunciamento acerca do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos
Nós abaixo-assinados, impelidos por nosso dever pastoral como Bispos católicos, provenientes de várias regiões do País, reunidos em um encontro de atualização pastoral – prosseguindo a tradição profética da Igreja Católica no Brasil que, nos momentos mais significativos da história de nosso País, sempre se manifestou em favor da democracia, dos legítimos direitos humanos e do bem comum da sociedade, em continuidade com a Declaração da CNBB do dia 15 de Janeiro de 2010 e com a Nota da Comissão Episcopal de Pastoral para a Vida e a Família e em consonância com os pareceres emitidos por diversos segmentos da sociedade brasileira feridos pelo III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), assinado pelo Preside nte da República no dia 21 de dezembro de 2009 – nos vemos no dever de manifestar publicamente nossa rejeição a determinados pontos deste Programa.
Diz a referida Declaração: “A CNBB reafirma sua posição muitas vezes manifestada em defesa da vida e da família e contrária à discriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos. Rejeita, também, a criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União, pois considera que tal medida intolerante, pretende ignorar nossas raízes históricas”.
Não podemos aceitar que o legítimo direito humano, já reconhecido na Declaração de 1948, de liberdade religiosa em todos os níveis, inclusive o público, possa ser cerceado pela imposição ideológica que pretende reduzir a manifestação religiosa a um âmbito exclusivamente privado. Os símbolos religiosos expressam a alma do povo brasileiro e são manifestação das raízes históricas cristãs que ninguém tem o direito de cancelar.
Há propostas que banalizam a vida, descaracterizam a instituição familiar do matrimônio, cerceiam a liberdade de expressão na imprensa, reduzem as garantias jurídicas da propriedade privada, limitam o exercício do poder judiciário, como ainda correm o perigo de reacender conflitos sociais já pacificados com a lei da anistia. Estas propostas constituem, portanto, ameaça à própria paz social.
Fazemos nossas as palavras do Cardeal Dom Geraldo Majela Agnelo, Primaz do Brasil, referidas à proposta de discriminalização do aborto, mas extensivas aos demais aspectos negativos do programa. O PNHD 3 “pretende fazer passar como direito universal a vontade de uma minoria, já que a maioria da população brasileira manifestou explicitamente sua vontade contrária. Fazer aprovar por decreto o que já foi rechaçado repetidas vezes por órgãos legítimos traz à tona métodos autoritários, dos quais com muito sacrifício nos libertamos ao restabelecer a democracia no Brasil na década de 80”.
“Firmes na esperança, pacientes na tribulação, constantes na oração” (Rm 12, 12), confiamos a Deus, Senhor supremo da Vida e da História, os rumos de nossa Pátria brasileira.
Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2010.

+ Alano Maria Pena, Arcebispo de Niteroi, RJ
+ Francisco de Assis Dantas de Lucena, Bispo de Guarabira
+ Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica S. João Maria Vianney, Campos, RJ
+ Benedito Gonçalves Santos, Bispo de Presidente Prudente, SP
+ Joaquim Carreira, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP
+ Juarez Silva, Bispo de Oeiras, PI
+ Manoel Pestana Filho, Bispo emérito de Anápolis, GO
+ José Moreira da Silva, Bispo de Januária, MG
+ Tarcísio Nascentes dos Santos, Bispo de Divinópolis, MG
+ Guiliano Frigenni, Bispo de Parintins, AM
+ Paulo Francisco Machado, Bispo de Uberlândia
+ Gilberto Pastana de Oliveira, Bispo de Imperatriz, MA
+ Philipe Dickmans, Bispo de Miracema, TO
+ Edney Gouvêa Mattoso, Bispo eleito de Nova Friburgo, RJ
+ Carlos Alberto dos Santos, Bispo de Teixeira de Freitas – Caravelas, BA
+ Walter Michael Ebejer, Bispo emérito de União da Vitória, PR
+ José Antônio Peruzzo, Bispo de Palmas – Francisco Beltrão, PR
+ Franco Cuter, Bispo de Grajaú, MA
+ Karl Josef Romer, Secretário emérito do Pontifício Conselho para a Família
+ Roberto Lopes, Abade do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, RJ
+ Orani João Tempesta OCist., Arcebispo do Rio de Janeiro, RJ
+ Eugenio de Araujo Card. Sales, Arcebispo emérito do Rio de Janeiro, RJ
+ João Carlos Petrini, Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia
+ Luciano Bergamin, Bispo de Nova Iguaçu, RJ
+ Antônio Augusto Dias Duarte, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
+ Wilson Tadeu Jönck, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
+ Pedro Brito Guimarães, Bispo de São Raimundo Nonato, PI
+ Fernando Guimarães, Bispo de Garanhuns, PE
+ Salvador Paruzzo, Bispo de Ourinhos, SP
+ José Moureira de Mello, Bispo de Itapeva, SP
+ José Francisco Rezende Dias, Bispo de Duque de Caxias, RJ
+ Laurindo Guizzardi, Bispo de Foz do Iguaçu, PR
+ Gornônio Alves da Encarnação Neto, Bispo de Itapetininga, SP
+ Carmo João Rhoden, Bispo de Taubaté, SP
+ Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna, BA
+ João Bosco de Sousa, Bispo de União da Vitória, PR]
+ Osvino José Both, Arcebispo Militar do Brasil, BSB
+ Capistrano Francisco Heim, Bispo Prelado de Itaituba, PA
+ Aldo di Cillo Pagotto, Arcebispo da Paraíba, PB
+ Gil Antonio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora, MG
+ Moacir Silva, Bispo de São José dos Campos, SP
+ Diamantino Prata de Carvalho, Bispo de Campanha, MG
+ Caetano Ferrari, Bispo de Bauru, SP
+ Aléssio Saccardo, Bispo de Ponta de Pedras, PA
+ Heitor de Araújo Sales, Arcebispo emérito de Natal, RN
+ Matias Patrício de Macêdo, Arcebispo de Natal, RN
+ Geraldo Dantas de Andrade, Bispo auxiliar de São Luis do Maranhão, MA
+ Bonifácio Piccinini, Arcebispo emérito de Cuiabá, MT
+ Tarcísio Scamarussa, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP
+ Celso José Pinto da Silva, Arcebispo emérito de Teresina, PI
+ José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju, SE
+ Antônio Carlos Altieri, Bispo de Caraguatatuba, SP
+ Aloisio Hilário de Pinho, Bispo emérito de Jataí, GO
+ Guilherme Porto, Bispo de Sete Lagoas, MG
+ Adalberto Paulo da Silva, Bispo Auxiliar emérito de Fortaleza, CE
+ Bruno Pedron, Bispo de Ji-Paraná, RO
+ Fernando Mason, Bispo de Piracicaba, SP
+ João Mamede Filho, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP
+ José Maria Pires, Arcebispo emérito de Paraíba, PB
+ Alfredo Schaffler, Bispo de Parnaíba, PI
+ João Messi, Bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda, RJ
+  Friederich Heimler, Bispo de Cruz Alta, RS
+ Osvaldo Giuntini, Bispo de Marília, SP
+ Assis Lopes, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
+ Edson de Castro Homem, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
+ Alessandro Ruffinoni, Bispo auxiliar de Porto Alegre, RS
+ Leonardo Menezes da Silva, Bispo auxiliar de Salvador, BA

Fonte: http://www.deuslovult.org/2010/01/30/abaixo-assinado-dos-bispos-contra-o-pndh-3/

O fato de 67 prelados assinarem o texto acima é indiscutivelmente louvável. Porém fica um pertinente questionamento: dado que no Brasil há 272 circunscrições eclesiásticas (Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, Administrações Apostólicas e Ordinariatos), se contarmos bispos auxiliares e eméritos, deve haver uns 400 bispos nesse pais. Onde estão os outros bispos que ainda não se pronunciaram?

Pax. 
               Igor Ramon







Igor Ramon
tem 18 anos, faz parte Renovação Carismática Católica da Diocese de Mossoró a 4 anos, onde exerce Ministério de Pregação e Formação, é coordenador diocesano do Ministério de Liturgia desse movimento, junto com alguns amigos se dedica ao estudo, ainda que informal, da Doutrina da Igreja, em especial no que diz respeito a Sagrada Liturgia, também se dedica a edição e publicação de artigos em blogs.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Carta Aberta ao Pe. Antônio Carlos Dantas

Reverendíssimo Pe. Carlinhos.

Antes de mais nada desejo-vos, como S. Paulo, "graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo" (I Cor I, 3)

No último final de semana Deus me concedeu a graça de um recesso nas atividades pastorais de leigo católico que sou, e diante do convite de alguns amigos, não pensei duas vezes, aceitei o convite de passá-lo na cidade litorânea de Tibal, que pertence a Paróquia de Grossos e está sobre sua responsabilidade.

Deus me deu uma graça ainda maior: durante os quatro dias que estive lá, em todos pude participar do Santo Sacrifício da Missa, no dia 31/12/2009 participei na beira da praia celebrada por Pe. Ricardo Rubens, como parte do evento anual da Comunidade Católica Shalom, já nos dias 1, 2 e 3/01/2010 participei na Capela de Santa Teresinha, celebradas por Vossa Reverendíssima.

Na Missa do dia 1º, Solenidade da Santa Mãe, eu e alguns amigos ficamos muito insatisfeitos por ter um direito litúrgico básico arbitrariamente violado no momento que Vossa Reverendíssima advertiu que a Sagrada Comunhão, ainda que sob as duas espécies, só seria distribuída na mão, contrapondo o que disse a Sagrada Congregação para Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos na Instrução Redemptionis Sacramentum:


[92.] Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca[178] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares aonde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia. Sem dúvida, ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.[179]

[178] Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 161. 
[179] Congr. para o Culto Divino e a Disc. dos Sacramentos, Dubium: Notitiae 35 (1999) pp. 160-161.
 


Ou ainda:

[104.] Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice, nem receber na mão a hóstia molhada. No que se refere à hóstia que se deve molhar, esta deve ser de matéria válida e estar consagrada; estando absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria. 

Falo ainda dos vasos sagrados de vidro usados nas Missas, contrariando o que diz a mesma Instrução acerca a dignidade destes:

[117.] Os vasos sagrados, que estão destinados a receber o Corpo e a Sangue do Senhor, devem-se ser fabricados, estritamente, conforme as normas da tradição e dos livros litúrgicos.[205] As Conferências de Bispos tenham capacidade de decidir, com a aprovação da Sé apostólica, se é oportuno que os vasos sagrados também sejam elaborados com outros materiais sólidos. Sem dúvida, requer-se estritamente que este material, de acordo com a comum valorização de cada região, seja verdadeiramente nobre,[206] de maneira que, com seu uso, tribute-se honra ao Senhor e se evite absolutamente o perigo de enfraquecer, aos olhos dos fiéis, a doutrina da presença real de Cristo nas espécies eucarísticas. Portanto, reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. Isto vale também para os metais e outros materiais, que se corroem (oxidam) facilmente.[207]


[205] Cf. Missale Romanum, Institutio Generalis, nn. 327-333.
[206] Cf. ibidem, n. 332.
[207] Cf. ibidem, n. 332; S. Congr. Sacramentos e Culto Divino, Instr., Inaestimabile donum, n. 16: AAS 72 (1980) p. 338.


Essas práticas são abusivas e ferem a Unidade do Rito Romano, portanto peço pelo bem dos fiéis da sua Paróquia e daqueles como eu a visitam nesse período, que elas cesse.

Concluo ainda na Redemptionis Sacrementum, aludindo também a Ecclesia de Echaristia:

[8.] [...] Sem dúvida, «a Eucaristia é o um dom demasiado grande para admitir ambigüidades e reduções». Por isso, convém corrigir algumas coisas e defini-las com precisão, para que também com isto «a Eucaristia siga resplandecendo com todo o esplendor de seu mistério».[19]

[11.] O Mistério da Eucaristia é demasiado grande «para que alguém possa permitir tratá-lo ao seu arbítrio pessoal, pois não respeitaria nem seu caráter sagrado, nem sua dimensão universal».[27] Quem age contra isto, cedendo às suas próprias inspirações, embora seja sacerdote, atenta contra a unidade substancial do Rito romano, que se deve cuidar com decisão,[28] e realiza ações que, de nenhum modo, correspondem com a fome e a sede do Deus Vivo, que o povo de nossos tempos experimenta, nem a um autêntico zelo pastoral, nem serve à adequada renovação litúrgica, mas sim defrauda o patrimônio e a herança dos fiéis com atos arbitrários que não beneficiam a verdadeira renovação[29] e sim lesionam o verdadeiro direito dos fiéis à ação litúrgica, à expressão da vida da Igreja, de acordo com sua tradição e disciplina. Além disso, introduzem na mesma celebração da Eucaristia elementos de discórdia e de deformação, quando ela tem, por sua própria natureza e de forma eminente, de significar e de realizar admiravelmente a Comunhão com a vida divina e a unidade do povo de Deus[30]. Estes atos arbitrários causam incerteza na doutrina, dúvida e escândalo para o povo de Deus e, quase inevitavelmente, uma violenta repugnância que confunde e aflige com força a muitos fiéis em nossos tempos, em que freqüentemente a vida cristã sofre o ambiente, muito difícil, da «secularização».[31]



[19] Cf. João Paulo II, Carta Encíclica, Ecclesia de Eucharistia, n. 10: AAS 95 (2003) p. 439. 
[27] João Paulo II, Carta Encíclica, Ecclesia de Eucharistia, n. 52: AAS 95 (2003) p. 468.
[28] Cf. Conc. Ecumênico Vaticano II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, nn. 4, 38; Decreto sobre as Igrejas Orientais Católicas, Orientalium Ecclesiarum,   21 de novembro de 1964, nn. 1, 2, 6; PAULO VI, Const. Apostólica, Missale Romanum: AAS 61 (1969) pp. 217-222; Missale Romanum, Institutio Generalis, n. 399; Congr. para o Culto Divino e a Disc. dos Sacramentos, Instr., Liturgiam authenticam, 28 de março do 2001, n. 4: AAS 93 (2001) pp. 685-726, isto p. 686.
[29] Cf. João Paulo II, Exhortação Apostólica, Ecclesia in Europa, n. 72: AAS 95 (2003) pp. 692.
[30] Cf. João Paulo II, Carta Encíclica, Ecclesia de Eucharistia, n. 23: AAS 95 (2003) pp. 448-449; S CONGR. RITOS, Instr., Eucharisticum mysterium,   25 de maio de 1967, n. 6: AAS 59 (1967) p. 545.
[31] Cf. S. Congr. Sacramentos e Culto Divino, Instr., Inaestimabile donum: AAS 72 (1980) pp. 332-333.

Por último lembro que [184.] Qualquer católico, seja sacerdote, seja diácono, seja fiel leigo, tem direito a expor uma queixa por um abuso litúrgico, ante ao Bispo diocesano e ao Ordinário competente que se lhe equipara em direito, ante à Sé apostólica, em virtude do primado do Romano Pontífice.[290] Convém, sem dúvida, que, na medida do possível, a reclamação ou queixa seja exposta primeiro ao Bispo diocesano. Para isso se faça sempre com veracidade e caridade.

[290] Cf. Código de Direito Canônico, c. 1417 § 1.

A esta instrução pode ser lida na íntegra no portal oficial do Vaticano < http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_po.html > Acessado em 4 de Janeiro de 2010.

Por isso já encaminho este e-mail para a Cúria Diocesana para que também o Senhor Bispo tome conhecimento dos fatos supracitados. Por se tratar de uma carta aberta, publicarei no meu blog, assumindo o compromisso de publicar também sua possível resposta, a qual não replicarei.

Em Cristo.
 
Igor Ramon Silva
Leigo, simples fiel e filho indigno da Igreja de Cristo.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Missa solene no pós-guerra alemão



Esta foto vale mais do que um trilhão de livros em defesa da sacralidade na Missa e da obediência das rubricas.

Em pleno pós-guerra, em uma igreja destruída, a Catedral de Münster, na Alemanha, com milhares de pessoas sofrendo e passando fome, a Missa é celebrada com toda a dignidade e sobriedade, como convém a um SACRIFÍCIO.

Isso mostra como são falaciosos os argumentos de que se celebram Missas de qualquer jeito, no Brasil, por causa da pobreza, da ausência dos paramentos etc. Aliás, os paramentos que não existem em certas paróquias não estão mais lá porque foram jogados fora, doados, vendidos etc.

Missa deve ser sacra, solene, sóbria, com canto decente - de preferência gregoriano ou polifonia -, com amplas doses de latim - quando não totalmente -, versus Deum - ou, quando versus populum, com tanta reverência no olhar que se esteja coram Deo -, com cumprimento rigoroso e integral das rubricas. Missa não é show, não é nossa propriedade. Sejamos seus servidores, não seus donos. Para a maior glória de Deus.

Postado no blog Salvem a Liturgia por Rafael Vitola Brodbeck